Quanto vou gastar com minha obra?

É a pergunta mais frequente no escritório quando apresentamos a nossa proposta de serviço. Óbvio! Ninguém quer enfrentar essa maratona sem ter ao menos uma ideia de quanto vai gastar. Dúvida mais do que pertinente e ficamos satisfeitas quando somos questionadas sobre isso! E vamos às respostas.

Primeiramente, aqui no escritório, como em muitos outros, não fazemos Orçamento da Obra. Nós apresentamos uma POSSIBILIDADE de ordem de grandeza: 10 mil, 50 mil, 100 mil. Mesmo porque é impossível ter qualquer certeza antes de fazer o Projeto. Quem está apto a fazer esse tipo de serviço é o profissional denominado Orçamentista, que pode ser contratado diretamente pelo cliente ou então pela Construtora que executará a obra (esta tem por obrigação apresentar a planilha de custo geral da obra porque ela recebe um valor sobre o total gasto na mesma, algo em torno de 20%). Mas, novamente, só é possível fazer o orçamento depois do Projeto pronto. Se o cliente não quiser pagar o profissional ou a Construtora, então ele deverá se encarregar desse serviço.

Cu$to da obra - Veja quanto custa construir em cada região do Brasil!

Cu$to da obra - Site com preços de vários itens para sua obra (veja link no final do post)

É claro que temos alguma noção do custo de uma obra. Por isso pedimos ao cliente para nos informar qual valor está disposto a gastar para poder balizar nossas decisões. Por exemplo: para reformar o consultório odontológico de 25m2 (derrubar e construir paredes, embutir tubulações da cadeira e demais instalações, instalar revestimentos novos, fazer forro de gesso com iluminação diferenciada, pintar etc) serão necessários, no mínimo, 10 mil reais. Isso sem contar o custo dos Projetos (Arquitetônico, Hidrossanitário, Elétrico etc) e da aquisição da Cadeira Odontológica. Não significa que vai gastar algo perto disso, mas menos do que isso garantimos que não. Agora, se o consultório estiver todo montado e precisar só de uma repaginada (pintura, troca de cortinas/persianas e alguns itens decorativos), é possível fazer por bem menos. A relação nível de intervenção versus custo é real. Quanto mais fizer, mais vai gastar. E essa relação cresce de forma exponencial.

E como temos essa noção dos valores? Porque acompanhamos a oscilação do custo de mão de obra e de materiais de acabamento e sabemos que hoje não está nada fácil. O pedreiro cobra uma média de 150 reais a diária e, se contratar um ajudante para o serviço sair mais rápido, pode somar mais 70 reais por dia. Em relação aos acabamentos, apesar da enorme variedade de marcas e produtos, eles estão cada vez mais caros! Parece contraditório, não? Mas tem sido assim: lança-se um produto novo, todos copiam e os preços vão às alturas!! O simples motivo: é lançamento.

Acabamentos - Porcelanatos e laminados de madeira entre tantas outras opções de revestimentos...

Acabamentos - Enorme variedade de marcas, modelos e preços! Qual te atende?

Decoração - Luminárias, tapetes, cortinas, almofadas, enfeites... Tudo ao seu alcance. Ou não!

Mobiliário e objetos de decoração (sofás, mesas, cadeiras, cortinas, tapetes e afins) não ficaram de fora. Até “lojas-supermercados” de móveis estão cobrando valores muitas vezes absurdos. E ficamos sem muita escolha porque até os marceneiros decidiram nos pregar alguns sustos: já recebemos um orçamento de marcenaria cujo valor dava para comprar um apartamento! Ficou 2,5 vezes mais caro do que o orçamento de outra marcenaria com o mesmo padrão de qualidade. Um abuso!

Mobiliário - A marcenaria é um dos itens mais caros do conjunto da decoração. Tanto móveis padronizados quanto os feitos sob medida vão te obrigar a desembolsar uma quantia razoável de dinheiro...

Mobiliário - Veja se o sofá cabe na sala e no seu orçamento!

Mobiliário - Ou compre só cadeiras... Mas lembre-se de multiplicar o valor unitário pela quantidade de assentos que precisa!

Mobiliário - E ainda falta a mesa!

Não temos como controlar isso porque não colocamos preço nos produtos ou serviços de terceiros. E nem sempre é o arquiteto que determina um “material-desejo”: muitas vezes o cliente faz as exigências. Então, a resposta é essa: não temos como saber quanto vai custar, podemos até tentar uma aproximação, mas não significa que será exato e então pedimos para o cliente não ficar com esse valor fixado na mente. E a maioria deles não escuta essa última frase. Ou escuta e esquece muitíssimo rápido!

Selecionamos imagens (clique sobre elas para visualizar em tamanho maior) com alguns produtos e seus respectivos valores para dar uma ideia de como anda o mercado da construção/decoração (todos os sites foram pesquisados nos dias 17-18/10/12). Dá para encontrar bastante coisa pela internet ou então através das revistas do ramo. Muitas lojas aceitam fazer orçamento dos itens selecionados e encaminhar por e-mail para o cliente. Mas a melhor opção mesmo é fazer um passeio pelas lojas de materiais de construção/acabamento para ver se seus desejos estão condizentes com seu bolso. E não se esqueça de atualizar suas planilhas de acordo com isso!

Imagem 1 : aqui

Imagem 2: aqui

Imagens 3, 4, 5: aqui

Imagens 6 e 7: aqui

Imagens 8 e 9: aqui

Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

Quinto e último post da série sobre diretrizes legais para obras de edificações: o que pode, o que não pode e como ficar sabendo disso! Veja os anteriores: , , e .

Lembrando-se do nosso exemplo fictício de um lote plano de 360mcom frente para uma via local e passeios planos no município de Belo Horizonte no zoneamento determinado como ZAP (Zona de Adensamento Preferencial).

Lote fictício - exemplo para os parâmetros urbanísticos na ZAP em Belo Horizonte

Parâmetros simplificados para ZAP:

    • Coeficiente de Aproveitamento básico: 1,5
    • Taxa de Permeabilidade: 10% (terrenos com área menor ou igual a 360m2)
    • Altura máxima na divisa: 5,0m
    • Afastamentos (da linha de divisa para dentro do lote):
      • Frontal = mínimo de 3m
      • Laterais e de fundo:
        • Mínimo de 1,5m se 6m < H > 5m
        • Mínimo de 2,30m se 12m < H > 6m
        • Mínimo conforme tabela do Anexo VII da Lei no 7.166 se H > 12m

Deu para entender com os textos anteriores como cada parâmetro depende do outro, como tudo está interligado, não é? Então, a pergunta mais correta seria essa: o que posso construir respeitando o limite máximo de área construída permitida e atendendo todos os parâmetros de permeabilidade, de altura na divisa e de afastamentos (além de todas as outras minúcias da Lei)? E a resposta que podemos dar é a seguinte: contrate um profissional que ele fará um estudo detalhado para te repassar essas informações. As possibilidades são enormes!

O arquiteto tem que se desdobrar para respeitar a legislação e ainda assim projetar uma construção que seja funcional, confortável, bonita, financeiramente viável etc. Por isso a importância da contratação de um bom profissional, que será claro com o cliente a respeito das exigências da Lei. Se o arquiteto não te informar sobre essas questões, desconfie. Se ele disser que não precisa seguir tudo tão à risca, pule fora na hora!

E, por mais incrível que possa parecer, TODOS os clientes nos perguntam: Por que eu preciso seguir a Lei se meus vizinhos não fazem isso? E temos que entrar na esfera de conversas que envolvem caráter, princípios, aquele blábláblá todo… A resposta é óbvia, sabemos. Mesmo assim é difícil encontrar quem entenda que uma LEI existe para ser seguida e cumprida.

De qualquer forma, é importante que o cliente saiba que ele NÃO pode construir o que quiser no próprio terreno e, principalmente, que não é o arquiteto que define isso. O profissional só poderá dizer o que realmente será possível fazer após o estudo e, para isso, o serviço precisa ser contratado, sendo Projeto ou Consultoria.

Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

Quarto post da série sobre diretrizes legais para obras de edificações: o que pode, o que não pode e como ficar sabendo disso! Veja os anteriores: , e .

Lembrando-se do nosso exemplo fictício de um lote plano de 360mcom frente para uma via local e passeios planos no município de Belo Horizonte no zoneamento determinado como ZAP (Zona de Adensamento Preferencial).

Lote fictício - exemplo para os parâmetros urbanísticos na ZAP em Belo Horizonte

Parâmetros simplificados para ZAP:

    • Coeficiente de Aproveitamento básico: 1,5
    • Taxa de Permeabilidade: 10% (terrenos com área menor ou igual a 360m2)
    • Altura máxima na divisa: 5,0m
    • Afastamentos (da linha de divisa para dentro do lote):
      • Frontal = mínimo de 3m
      • Laterais e de fundo:
        • Mínimo de 1,5m se 6m < H > 5m
        • Mínimo de 2,30m se 12m < H > 6m
        • Mínimo conforme tabela do Anexo VII da Lei no 7.166 se H > 12m

A altura máxima na divisa determina a maior cota altimétrica que a construção pode alcançar no limite das divisas laterais e de fundo. A determinação da cota de referência para o início da medição é um pouco complexa porque leva em consideração a declividade do terreno, a cota do passeio na divisa lateral e etc. Por isso consideramos um terreno plano com passeios planos, facilitando a explicação. No nosso exemplo fictício, esse valor está fixado em 5m. Vale salientar, entre outras determinações da Lei sobre esse parâmetro, que é proibida a construção sem afastamentos laterais e de fundo nas partes das edificações nas quais haja aberturas voltadas para as divisas laterais e de fundo. Ou seja, mesmo que sua construção esteja mais alta do que o muro do vizinho, você não pode abrir uma janela voltada para o lote dele.

Os afastamentos frontal, lateral e de fundo são as distâncias da divisa do lote até o início da edificação. O afastamento frontal mínimo da edificação é uma distância fixa determinada em função da classificação viária da via lindeira à testada do terreno. No nosso caso, o lote fictício está situado numa via local e, por isso, o afastamento frontal deverá ser de, no mínimo, 3m.

{De acordo com a chamada Hierarquização do Sistema Viário determinada pela Lei, a via pode ser classificada em 4 tipos: via local, via coletora, via arterial e via de ligação regional. Lembrando que a via local é a via de baixo volume de tráfego com função de possibilitar o acesso direto às edificações.}

Os afastamentos laterais e de fundo são determinados pelos valores acima mencionados: mínimo de 1,5m se a altura da edificação (H) estiver entre 5m e 6m; mínimo de 2,30m se a altura da edificação (H) estiver entre 6m e 12m e conforme tabela anexa à Lei se a altura da edificação estiver acima de 12m.

{O que é H? É a distância vertical em metros entre a laje de cobertura de cada pavimento e a laje de piso do primeiro pavimento acima da cota altimétrica média do passeio lindeiro ao alinhamento do lote.Complexo, né?! Mas no nosso exemplo fictício, como o lote e o passeio são planos, então H será igual à altura total da edificação – desde a laje de piso do pavimento térreo até a parte superior da laje de cobertura do último pavimento.}

O que é H? No nosso exemplo fictício, como o lote e o passeio são planos, então H será igual à altura total da edificação (medida vertical de laje a laje)

Veja que a altura na divisa e os afastamentos laterais e de fundo estão interligados: quanto maior a edificação, maiores deverão ser os afastamentos. No nosso exemplo fictício podemos: 1) construir uma casa de um pavimento com até 5m de altura “colada” na divisa do lote; 2) construir uma casa de 2 pavimentos até a altura máxima de 6m com afastamentos laterais e de fundo de, no mínimo, 1,5m; 3) construir uma casa de 3 pavimentos com 9m de altura com afastamentos laterais e de fundo de, no mínimo, 2,30m; 4) construir um prédio com mais de 4 andares considerando os afastamentos tabelados. E essas são apenas algumas das possibilidades…

No nosso exemplo fictício - afastamento frontal obrigatório de 3m e altura máxima na divisa de 5m: 1) pavimento único com 3m de altura colado na divisa; 2) 2 pavimentos com 6m de altura e afastamentos laterias e de fundo de 1,5m

No nosso exemplo fictício - afastamento frontal obrigatório de 3m e altura máxima na divisa de 5m: 3) 3 pavimentos com 9m de altura e afastamentos laterais e de fundo de 2,30m; 2) 5 pavimentos com 15m de altura e afastamentos laterias e de fundo a definir de acordo com a tabela anexa à Lei

E aí, o que construir então?!

No nosso exemplo fictício - afastamento frontal obrigatório de 3m, altura máxima na divisa de 5m, 540m2 de área construída permitida, 36m2 de área permeável...

P.S.: Clique nas imagens para ver em tamanho maior.

Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

Terceiro post da série sobre diretrizes legais para obras de edificações: o que pode, o que não pode e como ficar sabendo disso! Veja os anteriores: e .

Lembrando-se do nosso exemplo fictício de um lote plano de 360m2com frente para uma via local e passeios planos no município de Belo Horizonte no zoneamento determinado como ZAP (Zona de Adensamento Preferencial).

Lote fictício - exemplo para os parâmetros urbanísticos na ZAP em Belo Horizonte

Parâmetros simplificados para ZAP:

  • Coeficiente de Aproveitamento básico: 1,5
  • Taxa de Permeabilidade: 10% (terrenos com área menor ou igual a 360m2)
  • Altura máxima na divisa: 5,0m
  • Afastamentos (da linha de divisa para dentro do lote):
    • Frontal = mínimo de 3m
    • Laterais e de fundo:
      • Mínimo de 1,5m se 6m < H > 5m
      • Mínimo de 2,30m se 12m < H > 6m
      • Mínimo conforme tabela do Anexo VII da Lei no 7.166 se H > 12m

Taxa de Permeabilidade (TP) é o percentual mínimo de área descoberta e permeável do terreno em relação a sua área total, dotada de vegetação que contribua para o equilíbrio climático e propicie alívio para o sistema público de drenagem urbana. A partir do valor determinado da TP é possível calcular a área do terreno na qual será permitido construir, teoricamente, NADA! No nosso exemplo fictício, esse valor será de 0,10 x 360m2 = 36m2. Isso significa que 36mdo terreno deverão estar livres, teoricamente, de qualquer construção.

Três exemplos para atender a TP: a área deveria ser, teoricamente, somente para vegetação

Esse valor pode ser calculado considerando áreas de jardim sobre de terreno natural, jardineiras ou pavimentação do tipo cobograma. Mas, para cada tipo é considerado uma porcentagem para o cálculo: a área de jardim sobre terreno natural conta como área 100% permeável, já a jardineira e o cobograma contam como área 80% permeável*. Então, atenção aos cálculos: tanto a área da jardineira como o do cobograma devem ser multiplicadas por 0,80 e esses resultados é que devem ser considerados para o cálculo final do TP.

Taxa de permeabilidade - jardim sobre terreno natural, jardineira e cobograma

Taxa de permeabilidade - atenção aos cálculos quando incluir a área da jardineira e/ou do cobograma!

Agora, digamos que você não consiga atingir o valor de área determinado pelo TP. Não se desespere, porque existem outros mecanismos para contornar esse problema. Novamente, é preciso um estudo aprofundado – que será realizado pelo arquiteto – considerando os dados do caso específico (o terreno real). Quando dizemos que a Lei é cheia de minúcias e pormenores…

Exemplos de cobograma - bloco de concreto intertravado com espaço para grama

* Esses parâmetros eram determinados pela Lei n7.166/96, mas não encontramos essas informações na Lei atual (revisada). Tentamos entrar em contato com a Prefeitura, mas o atendimento é somente de 9h às 13h. De qualquer forma, vamos continuar pesquisando isso e, se necessário, faremos uma atualização nesse post.

Imagem 3: aqui

Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

Segundo post da série sobre diretrizes legais para obras de edificações: o que pode, o que não pode e como ficar sabendo disso! Veja o 1º post.

Vamos dar um exemplo fictício (não transfira esses parâmetros para o seu terreno!) de um lote plano de 360m2com frente para uma via local e passeios planos no município de Belo Horizonte no zoneamento determinado como ZAP (Zona de Adensamento Preferencial). Listamos os parâmetros de forma bem simplificada (porque há várias outras minúcias e pormenores na Lei) e primeiramente vamos explicar o que cada um significa para depois fazer a análise final do lote.

Lote fictício - exemplo para os parâmetros urbanísticos na ZAP em Belo Horizonte

{O que é Via Local? É a via de baixo volume de tráfego com função de possibilitar o acesso direto às edificações.Veja um exemplo de parte do mapa da Lei aqui.}

Parâmetros simplificados para ZAP:

    • Coeficiente de Aproveitamento básico: 1,5
    • Taxa de Permeabilidade: 10% (terrenos com área menor ou igual a 360m2)
    • Altura máxima na divisa: 5,0m
    • Afastamentos (da linha de divisa para dentro do lote):
      • Frontal = mínimo de 3m
      • Laterais e de fundo:
        • Mínimo de 1,5m se 6m < H > 5m
        • Mínimo de 2,30m se 12m < H > 6m
        • Mínimo conforme tabela do Anexo VII da Lei no 7.166 se H > 12m

Coeficiente de Aproveitamento básico (CAb) é um valor que, multiplicado pela área total do terreno, resulta no valor máximo de área que poderá ser construída no lote, considerando TODOS os pavimentos. É o potencial construtivo do terreno. No nosso exemplo fictício, esse valor será de 1,5 x 360m2 = 540m2. Isso significa que, respeitando os outros parâmetros, você pode construir até o limite máximo 540m2de área líquida – que é o resultado da área total construída descontadas as áreas que não são contabilizadas para cálculo do CAb, como, por exemplo, casa de máquinas e circulação vertical.

Lote fictício - Perspectivas frontais: nessas 3 opções construtivas o CAb foi respeitado e a área líquida não ultrapassa os 540m2

Lote fictício - Perspectivas frontais: nessas 3 opções construtivas o CAb foi respeitado e a área líquida não ultrapassa os 540m2

Ainda existem outros mecanismos para você construir mais do que o permitido pelo cálculo de CAb. Mas é preciso um estudo aprofundado – que será realizado pelo arquiteto – considerando os dados do caso específico (o terreno real). Quando dizemos que a Lei é cheia de minúcias e pormenores…

No próximo post vamos explicar a Taxa de Permeabilidade. Não Perca!

Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

Primeiro post da série sobre diretrizes legais para obras de edificações: o que pode, o que não pode e como ficar sabendo disso!

Alguns clientes nos abordam da seguinte forma: eu tenho um terreno e quero construir aproveitando 100% do espaço disponível. E perguntamos então o que ele entende como aproveitamento total: quero construir até o limite dos muros, uns 5 pavimentos. Hum… Será que pode?!

E temos aí outra dúvida muito comum: posso construir o que eu quiser no meu terreno? Não, não pode. Sabemos que o terreno é seu. Mas NÃO pode. E quem diz isso não somos nós, mas a Lei Municipal (em Belo Horizonte) no 7.166/1996 (parcialmente modificada através da Lei no 9.959/2010), a chamada Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS).

Dúvida cruel - Posso construir o que eu quiser no meu terreno?

A LPUOS “estabelece normas e condições para parcelamento, ocupação e uso do solo urbano no município”. Trocando em miúdos, ela determina as diretrizes para:

  • Loteamento, desmembramento e fracionamento de terrenos em unidades juridicamente independentes;

  • Obras de edificações através de parâmetros urbanísticos como Coeficiente de Aproveitamento (C.A.), Taxa de Ocupação (T.O.), Taxa de Permeabilidade (T.P.), afastamentos, altura na divisa, entre outros;

  • A localização de usos (residencial ou não residencial) e o funcionamento de atividades (escola, hospital, hotel etc).

E essas normas e condições variam de acordo com o Zoneamento Urbano (veja um exemplo aqui) determinado pelo Plano Diretor de cada município: “as zonas são diferenciadas segundo os potenciais de adensamento e as demandas de preservação e proteção ambiental, histórica, cultural, arqueológica ou paisagística”. Ou seja, quem define se você pode construir numa área de mata preservada não é você e nem o arquiteto, é a LEI. Da mesma forma, é ela que determina quantos metros quadrados de área poderão ser edificados no seu terreno, entre tantas outras coisas mais.

Dúvida cruel - Uns 5 pavimentos até o limite dos muros! Será que pode?

Se você precisa saber os parâmetros definidos em Lei para o seu terreno, o documento que você terá que providenciar é a Informação Básica. Para começar um Projeto Arquitetônico, fazer demolição de imóvel existente ou reforma com acréscimo de área, esse documento é imprescindível. Ele traz todas as informações relevantes e pertinentes ao seu lote, além de um mapa com a planta de situação. Para conseguir esse documento, você deverá comparecer ao BH Resolve com a guia do IPTU do imóvel paga (a mais recente) e uma cópia xerox. Você deverá pagar uma taxa (prepare-se para as taxas salgadas da Prefeitura!) e só então a solicitação será feita. O prazo mínimo de entrega do documento é de 7 dias (prepare-se para os prazos distendidos da Prefeitura!).

Não adianta insistir no fato de que essas informações não são divulgadas. A Lei é pública e está ao alcance de todos, é só procurar um pouquinho. É claro que ela é imensa, confusa, cheia de detalhes e termos complicados e difíceis de entender. Por isso a importância da contratação do profissional: ele saberá por onde começar e onde procurar as informações relevantes. Ele saberá explicar por qual motivo você não pode construir o que quiser. Mas não desanime porque ainda é possível chegar a 100%: aproveitar TUDO dentro do que é PERMITIDO.

Dúvida cruel - Será que meus vizinhos podem também? E os vizinhos deles? Porque todo mundo gosta de 100% de aproveitamento!

Nas próximas publicações, vamos explicar alguns parâmetros tendo como exemplo um lote fictício em BH. Não perca!

P.S.: Clique nas imagens para ver em tamanho maior.

A dança das cadeiras

É incrível como algumas dúvidas sobre questões arquitetônicas e/ou decorativas são recorrentes aqui no escritório: todos os clientes fazem a mesma pergunta! E resolvemos então responder e explicar aqui no blog, já que mais pessoas podem estar com a “pulga atrás da orelha”.

Uma grande dificuldade dos clientes é entender que o fato de ele já ter uma copa de 10m2 e ter colocado nela uma mesa quadrada com 8 cadeiras não significa que essa seja a melhor opção. E sempre escutamos: “mas hoje cabe”! Claro que cabe, cabem 20 ou até 30 cadeiras! A questão não é só caber no espaço. A questão é saber se funciona bem da forma como está. E normalmente não funciona – não estaríamos nem tendo essa conversa com o cliente se estivesse tudo ok, não é?

Sim, cabem 30 cadeiras! Mas... funciona?

Para relembrar, quando planejamos espaços (porque é isso que arquitetos fazem), testamos várias opções e escolhemos sempre a opção com o melhor aproveitamento possível, levando em consideração o conforto (quem gosta de andar trombando em todas as quinas?), a funcionalidade, os custos, o estilo do conjunto etc. Muitas vezes conseguimos incorporar algumas ideias do cliente ou mesmo aproveitar móveis. Mas não significa que isso acontecerá sempre, já que não podemos ficar presas aos itens ou soluções que “engessam” o ambiente.

Tendo esclarecido isso, vamos então à dúvida mais recorrente (veja imagem abaixo): por que não deixar as cadeiras assim para conseguir mais lugares?

Dúvida recorrente marcada com o círculo vermelho - Posso colocar as cadeiras assim?

Dúvida recorrente marcada com o círculo vermelho - Veja o que acontece quando as pessoas estão sentadas e... tente fazer em casa!

Parece óbvio, mas muitas pessoas não entendem que as cadeiras cabem, mas… e as pernas dos que sentarão nelas?! A não ser que o lugar esteja reservado somente para casais apaixonados (para poder colocar as pernas umas sobre as outras) não parece uma opção tão boa, não é mesmo? Pode tentar fazer em casa e verá que estamos falando a verdade – nós até decidimos representar na frente do cliente para ele poder entender!

Dança das cadeiras - uma opção para solucionar o problema

Dança das cadeiras - outra opção para solucionar o problema

Aí você pode questionar: mas existe o sofá em “L”! Sim, existe mesmo! Observe que os assentos dos sofás são mais largos do que os assentos das cadeiras, o que permite que duas pessoas estejam sentadas mais afastadas evitando o tromba-tromba de pernas.

Sofá em "L" - veja como cada assento é largo, permitindo que duas pessoas sentem sem problemas

Você pode nunca ter percebido isso e não há problemas – não se acanhe, pode continuar perguntando quando não souber algo. Mas nós percebemos: estudamos muito, treinamos nosso olhar e aguçamos nossa percepção, dia após dia. E esclarecemos isso porque honramos nossa profissão e nosso compromisso com o cliente!

Imagem dos sofás – aqui